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Page history last edited by Deise 2 years, 10 months ago

 

O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno(a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais.

 

 

 

 

Esse ambiente virtual foi criado com a finalidade de relatar e compartilhar minha experiência com educação especial e/ou com inclusão. Essas serão sobre processos educativos que nós mesmos vivenciamos, seja na escola, seja na sua sala de aula, seja na família ou com amigos.


 

Unidade 1 - Retrospectiva Histórica da Educação Especial

 

Desenvolvo minha prática pedagógica no laboratório de informática, auxiliando alunos que querem fazer trabalhos escolares, bem como desenvolvendo trabalhos e entretenimentos para despertar a motivação e o gosto de freqüentar a escola.

Essa escola tem apenas um aluno portador de necessidades educacionais especiais, ele apresenta deficiência mental.

Durante as aulas meu contato com ele é muito pouco, mas já era o suficiente para observar que ele se portava diferente dos demais colegas, sendo agressivo com eles, já que os mesmo os viam com certo preconceito, não querendo sentar ao lado do menino.

Desse modo, sempre procurei integrar a turma e fazer trabalhos em duplas, promovendo sorteios, para que ninguém ficasse sozinho e para que houvesse igualdade entre todos, já que o menino geralmente era excluído, pois as outras crianças sentiam medo dele.

Os entretenimentos eram iguais para todos os alunos, procurava sempre dar jogo da memória, dos sete erros, quebra-cabeça virtual, entre outros, para desenvolver a habilidade motora, a memória e a lógica.

Sempre procurava dar atenção um pouco maior para esse aluno com necessidades educacionais especiais, que também era carente de afeto. No entanto, não deixava que ninguém risse e soltasse piadas de ninguém, pois para mim todos eram iguais e todos tinham os mesmos direitos e oportunidades nas minhas aulas.

Nesse sentido, dava o máximo possível de mim para que esse aluno não se sentisse sozinho, carente e excluído, e percebi que consegui chegar a um bom resultado, pois sempre no intervalo e antes de começar as aulas o menino ia me dar um oi e um abraço perguntando como eu estava. Essa situação enchia meu coração de felicidade e sempre me vez ver que preconceito não leva a nada.

Assim como eu a escola de forma geral procura aproximá-lo do convívio escolar, formando grupos por sorteios em quase todas as ocasiões, tanto na hora do recreio, aonde ocorre gincanas e torneios de vôlei e futebol, bem como na prática de sala de aula, fazendo com que todos os alunos aceitem as diferenças e interajam com todos os outros, tentando assim diminuir a aversão dos colegas em relação a ele.

Do mesmo modo, a professora responsável pela turma e a diretora procuram dialogar muito com ele e desenvolver trabalhos referentes a preconceitos, discriminações e o respeito às diferenças, através de teatros, do conto de histórias que façam refletir sobre essa situação, para que assim diminuam sua agressividade e se sinta motivado a freqüentar a escola. Ainda a escola marca horários em turno oposto com a professora que trabalha na sala de recursos pedagógicos para que ela lhe dê bastante atenção e desenvolva trabalhos dinâmicos e atrativos com o menino, dando maior ênfase ao convívio entre todos.

Hoje, não estou trabalhando mais com esse menino, pois trabalho uma vez por semana no laboratório de informática e o horário que disponibilizo é o mesmo que ele se dedica na sala de recursos, mas quem sabe um dia teremos a oportunidade de convivermos novamente.

 


Unidade 2 - Políticas Públicas Brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político - Pedagógico da Educação Inclusiva

 

A partir da proposta de dar continuidade ao Dossiê promovida pela interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, pude buscar mais informações sobre a escola onde desenvolvo minhas práxis.

Essa rede de ensino estadual apresenta o total de 120 alunos, e disponibiliza de quatro professores para dar aula do 1° ao 5° ano, sendo que dois deles não possuem formação para trabalhar com as séries iniciais e também dão aula juntamente com mais quatro colegas destinadas somente para as séries finais (6º, 7º, 8° e 9º ano), compondo assim um total de seis professores destinados ao ensino fundamental.

A partir do total de alunos existentes na escola, constatei que existe apenas um aluno com necessidades educativas especiais, o qual apresenta uma deficiência mental.

Esse aluno tem 16 anos e cursa o 7º ano, recebe atendimento em turno oposto de uma professora sem especialização que trabalha na sala de recursos pedagógicos. A mesma lhe dá atendimento especial trabalhando no intuito de desenvolver nele condições para trabalhar em uma sala de aula.

Dessa forma, a nossa escola organizou-se desse modo para poder suprir as maiores necessidades desse aluno deficiente para que ele possa continuar estudando, conforme observei no texto Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva:

 

 

(... as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que:

Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001)).

 

 

Assim, constatei que conforme a LEI Nº 9394/96 – Lei de diretrizes e bases da educação – 1996, Capítulo V, da educação especial, no artigo 58, 1º inciso, que de fato existe uma realidade totalmente contrária a esse artigo, o qual ressalta que: “Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial”.

Disse que havia uma realidade contrária por que essa escola necessitaria sim de um serviço especializado para atender esse menino, porém não é essa realidade, uma vez que para garantir o suporte necessário a esse aluno foi preciso que a escola disponibilizasse uma professora para atendê-lo.

Nesse sentido, percebe-se que essa instituição esforça-se para trazer para dentro da mesma a inclusão educacional, mas falta por parte do governo colocar em prática todas essas leis, para que assim tragam para dentro das escolas a inclusão educacional e todo o suporte necessário para proporcionar um ensino de qualidade a todos os alunos, independente de sexo, cor, classe e de suas limitações físicas e mentais.

 


 

Unidade 3 - Serviços de Atendimento Educacional Especializado

 

PARTE A:

 

 

A partir da pesquisa iniciada sobre a educação especial no meu município, pude observar que esse apresenta apenas um ambiente de serviço especializado: a instituição filantrópica da APAE.

A APAE atende um total de 102 alunos, os quais apresentam deficiência mental, deficiência física e deficiência múltipla.

Desse total, 42 freqüentam a Escola (Escola de Educação Especial João de Barro), a qual é mantida pela APAE, em turmas de educação infantil e ensino fundamental. Existem as turmas do Ciclo I, Ciclo II, EJA I e II e Grupos de Convivência.

Os demais 60 recebem atendimento especializado: Psicopedagoga, Neurologista, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta, Assistente Social, Fonoaudióloga e Psicóloga.

Essa entidade trabalha em prol da “... defesa de direitos, prevenção, orientação, prestação de serviços e apoio às famílias, direcionadas a melhoria de qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária”, conforme ressalta em sua missão no site: http://trescachoeiras.apaebrasil.org.br/.

 


     

PARTE B: ESTUDO DO CASO

 

Para desenvolver a atividade Estudo do Caso, escolhi um aluno com necessidades educacionais especiais, o qual apresenta deficiência mental. Este estuda na escola onde desenvolvo a minha prática pedagógica, Escola Estadual de Ensino Fundamental Dom José Baréa.

 

 

 

 

Esse aluno tem 16 anos e cursa o 7º ano, recebe atendimento junto com mais três ou quatro alunos que apresentam apenas dificuldades de aprendizagem. Esse atendimento é realizado em turno oposto, uma vez por semana, durante duas horas, com uma professora sem especialização que trabalha na sala de recursos pedagógicos.

A mesma lhe dá atendimento especial trabalhando no intuito de desenvolver condições para trabalhar em uma sala de aula, como já descri nas atividades anteriores. Esse atendimento é feito em grupo para desenvolver neles a cooperação, interação e socialização de idéias e conhecimentos.

Da mesma forma, essa professora procura dar uma atenção global a todos e desenvolver trabalhos dinâmicos e atrativos com eles, valorizando os registros através de desenhos feitos pelos alunos, tanto com tinta quanto com canetinhas hidrocores e lápis de cor, bem como, usa de poesias e pequenas histórias para trabalhar principalmente a leitura, a ortografia e a interpretação, desenvolvendo leituras coletivas, indagações e desenhos sobre histórias, já que eles tanto o aluno com deficiência mental quanto os demais, possuem muitas dificuldades nesses quesitos e não estão conseguindo acompanhar os outros alunos da sua turma.

Essa professora procura também ouvir esses alunos e usar da oralidade como ferramenta principal para a comunicação, dando maior ênfase ao convívio entre todos, atendendo suas necessidades para que possam acompanhar a turma com uma aprendizagem significativa.

 


 

Estudo de Caso - Unidade 4

 

Para dar continuidade ao Estudo de Caso, como relatei na unidade anterior, escolhi um aluno que apresenta deficiência mental.

Para obter as informações necessárias sobre esse aluno dialoguei com o secretário, a diretora, as professoras de sala de aula e a professora da sala de recursos, além de visualizar a ficha desse aluno.

Nesse sentido, até então, eu e algumas outras professoras, achávamos que esse aluno era portador de deficiência mental, pelo fato de suas ações e atitudes serem semelhantes às características pertencentes a ele.

Porém, ao investigar profundamente sua história, e ao observar sua ficha constatei que estava equivocada, que esse aluno não possui deficiência mental, possui apenas dificuldades de aprendizagem e é multirepetente.

Acredito, que cabe aqui destacar o quanto a falta de informação e aprofundamento nas características educacionais de pessoas com necessidades especiais se fazem presentes no nosso cotidiano, pois muitas vezes julgamos nossos alunos por suas atitudes sem conhecer profundamente sua trajetória e realidade de vida, como de fato aconteceu comigo. 

Esse aluno, que destaquei acima, chama-se Emanuel Dias (nome fictício), tem 16 anos, cursa a 7º ano do ensino fundamental, mora na comunidade rural da Raposa, pertencente ao município de Três Cachoeiras.

Suas condições socioeconômicas são precárias, mesmo assim não ganha Bolsa Família, não tem atendimento especializado, freqüenta quatro religiões diferentes, (Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Evangélica Batista Betel, Testemunha da Jeová e Assembléia de Deus).

Emanuel tem seus pais separados, e mora no mesmo terreno que se pai e sua madrasta. Seu pai é alcoólatra e não trabalha, vive em conflitos com ele, muitas vezes, até maltrata e agride o menino. Por isso, fizeram um quartinho de madeira sem janela e sem banheiro no fundo do seu terreno, para que ele morasse sozinho ali. No entanto, existe um banheiro que pertence à casa de seu pai, mas ele não deixa usá-lo, pois argumenta que gasta muita luz e água. Assim Emanuel toma banho de bacia e faz as suas necessidades na rua ou no mato.

Do mesmo modo, ele que lava as suas roupas, pois ninguém faz isso por ele. Assim como não deixam usar o banheiro, sua madrasta e seu pai, nem sempre dão almoço para ele, muitas vezes, quando estudava à tarde, chegava com muita fome na escola, e a diretora sabendo da situação lhe dava almoço.

Freqüentemente a escola também fazia uma merenda mais saborosa especialmente para Emanuel, já que não tinha alimentos para comer.  Também arrecada roupas e calçados para vestir o menino, já que seus pais não dão esse atendimento.

Sua mãe, mora na Praia Gaúcha, pertencente à localidade de Torres. Ele não vive com ela, pois seu novo namorado não aceita o menino.

Até então quando sua mãe não estava acompanhada, ele morou com ela, estudou 1º, 2º e 3º ano na Escola Fundamental Santa Rita, no município de Torres.

Quando isso ocorreu, Emanuel veio morar com o pai e foi transferido para o Instituo Estadual de Educação Maria Angelina Maggi, no município de Três Cachoeiras, o qual estudou 4º e 5º ano, sendo que reprovou nesse último, mesmo sendo multirepetente.

No ano de 2007, foi transferido para a escola onde atuo, Escola Estadual de Ensino Fundamental Dom José Baréa, do qual permanece estudando até os dias de hoje.

 


 

Estudo de Caso: Unidade 5

 

Dando continuidade ao estudo de caso anterior, quero destacar que Emanuel não recebe atendimento especializado, apenas, recebe atendimento por parte do Conselho Tutelar e da Assistência Social em turno oposto para que não fique em casa desocupado. Durante três tardes por semana, quarta, quinta e sexta-feira, freqüenta a Assistência Social, pois faz parte do Projeto Arte de Rua, onde já aprendeu a tocar violão, está aprendendo a fazer artesanato e teatro, ou seja, cada tarde participa de um tipo específico de atividade.

Como já se envolveu em roubo, por não se conformar com sua história de vida, freqüenta todas as segundas-feiras, acompanhamento no fórum do município de Torres, onde é atendido por uma psicóloga, etc. Já nas terças-feiras, freqüenta a sala de reforço, recebendo o atendimento no que se referem as suas dificuldades de aprendizagem.

Esse aluno também não recebe diagnósticos de médicos, pois seu caso está relacionado a dificuldades de aprendizagem, a multirepetência e principalmente a estrutura familiar que afeta todas as suas relações pessoais e estudantis, conforme constatou a escola através do contato com o Conselho Tutelar e da Assistência Social, os quais juntos continuam suas investigações e diálogos com o aluno para saber como de fato anda sua situação de vida e seu desempenho escolar.

 


 

Estudo de Caso: Unidade 6

 

 

Continuando ao registro escrito iniciado, ressaltarei nessa unidade os comportamentos observáveis na escola onde Emanuel estuda.

Cabe lembrar que quando Emanuel estudou o 4º e 5º anos no Instituo Estadual de Educação Maria Angelina Maggi, no município de Três Cachoeiras, seu comportamento nessa escola era agressivo e rebelde, sempre ameaçava os professores e colegas, argumentando que carregava uma arma na mochila e que queria ver quem que iria fazer alguma coisa contra ele.

Todos os alunos tinham medo dele e já o consideravam como marginal. Muitas vezes, também praticou roubos, pois não se conformava com sua história de vida.

Perante essa situação, foi convocado o Conselho Tutelar e a Assistência Social do município, e resolveram transferi-lo no ano de 2007 para a escola onde atuo, Escola Estadual de Ensino Fundamental Dom José Baréa.

Emanuel hoje vem apresentando alguns retrocessos em relação ao seu comportamento quando chegou à escola. Ele teve avanços significativos em seu processo de ensino aprendizagem. Porém, vem demonstrando algumas dificuldades, como, autoridade sobre algumas professoras, não reconhece autoridades, realiza brincadeiras maliciosas com alunos menores, ofende colegas com palavras preconceituosas, apelidos pejorativos, além de, algumas vezes, intimá-los através de ameaças.

A escola vem conversando com esse aluno e tentando estabelecer alguns acordos com o mesmo, mas isso não tem sido suficiente, tendo em vista que a família é muito pouco presente na vida escolar do menino.

A escola solicita ajuda e orientação, pois Emanuel já teve um comportamento bem melhor aqui na escola.

Com relação à sala de aula, ele mostra inquietude e por vezes deixa de executar as tarefas solicitadas, além da falta de organização com materiais e da falta de compromisso com os estudos.

A sua participação oscila. Ora, vivencia momentos de intensa participação e interesse, ora apatia e age agressivamente com colegas e professores.

Esse aluno apresenta muitas dificuldades no que se refere à interpretação de texto, parágrafo, pontuação, discurso direto e indireto, não sabendo defini-los e nem tampouco aplicá-los a expressão escrita.

No entanto, apresenta facilidades na área da matemática e na expressão oral. Cabe destacar que esse aluno não reprovou nenhuma vez desde quando chegou a essa escola.

Quando há momentos de integração com outras turmas demonstra maior identificação com crianças menores (educação infantil e 1º ano).

Tem demonstrado progresso em relação às atitudes que apresentava a chegar nessa escola.

A escola juntamente com todos os professores procura dar muita atenção ao menino, valorizando seus trabalhos, elogiando suas atitudes corretas, dialogando sobre seus erros e auxiliando nas suas dificuldades em sala de aula bem como nas suas necessidades da vida pessoal. Procura também, estimular sua participação em todos os eventos escolares, como teatros e gincanas, apresentações em datas comemorativas, para que ele se sinta acolhido e eleve sua auto-estima.

No entanto, sua família não apresenta envolvimento nenhum no processo de inclusão escolar, não comparece nas reuniões, nem em datas comemorativas e nem quando a escola solicita sua presença na instituição.

Como já foi ressaltado nas unidades anteriores, é notável que a família não se importa e nem tampouco se preocupa com o menino. A escola tenta aproximá-la, convocando-os a diálogos com a direção e professores, mas os pais não respondem ao solicitado.

Mesmo assim, hoje, já foi possível perceber grandes mudanças em suas atitudes comportamentais, pois já não é mais um menino tão agressivo, não demonstra mais a revolta que tinha quando ingressou nessa escola. Mas, ainda caminhamos para bem atendê-lo e para dar todo o auxilio necessário nas suas relações tanto pessoais quanto estudantis.

 


 

Estudo de Caso: Unidade 7 - Práticas Pedagógicas em Educação Inclusiva

 

 

 

Para finalizar o estudo de caso, pude refletir sobre a avaliação, adaptações curriculares e dispositivos de ensino na educação básica.

Nesse processo, percebi que a escola dedicou-se intensamente para promover a inclusão desse aluno, procurando desenvolver um trabalho que valorizasse a história de vida de Emanuel, onde toda a turma o respeitasse e ajudasse a incluí-lo na sala de aula.

Essas atitudes tidas pela professora desse aluno vão ao encontro do texto Diversidade e Currículo da autora Lenise Caçula Pistóia, especialmente quando ressalta que: “Concebe-se o professor como um profissional que reflete, diagnostica, pesquisa e atua com autonomia”.

Posso dizer que essa foi uma mudança curricular que se fez presente, pois a professora sabendo do caso do aluno vir transferido de outra escola por ter problemas comportamentais e ver que ele não estava sendo bem aceito pela turma, procurou fazer um trabalho que respeitasse a pluralidade social, cultural e as necessidades especiais de cada aluno no intuito de promover a inclusão entre toda turma.

Entretanto, com relação à avaliação do aluno durante o ano letivo não houve grandes mudanças, ela continuou sendo dada por nota, onde a média geral é 60. Caso o aluno não consiga atingi-la só retirará o boletim mediante o acompanhamento dos pais ou responsáveis, para que a escola juntamente com a equipe de professores dialoguem com a família do aluno, na intenção de melhorar o aprendizado deste.

Cabe ressaltar que as notas são obtidas através de provas, trabalhos em grupos e individuais, participação oral nas aulas.

Desse modo, penso que ainda se precisa fazer muitas mudanças pedagógicas para promover a inclusão, pois esse tipo de avaliação deixa muito a desejar, pela razão de que não é levado em conta todo seu desempenho e desenvolvimento durante as aulas.

Assim sendo, como consta no texto Diversidade e Currículo, acredito que:

“Para ensinar a turma toda, deve-se propor atividades abertas, diversificadas, isto é, atividades que possam ser abordadas por diferentes níveis de compreensão e de desempenho dos alunos. Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observação e vivências em grupo são alguns processos pedagógicos possíveis nessa perspectiva”.

 

Bem sabemos que cada aluno apresenta suas especificidades, suas habilidades e dificuldades que variam de acordo com sua experiência, por isso nós docentes devemos promover diferentes tipos de atividades que valorizem o conhecimento prévio de cada um, bem como seus limites de aprendizagens e não apenas aplicar provas como método de avaliação, mas sim saber em que etapa o aluno está, por que ele aprendeu ou não, que fatores implicaram nisso.

Entretanto, essa não é uma tarefa fácil, precisamos entender que a avaliação assim como o currículo precisam pressupor: “... que facilite a aprendizagem de todos os alunos e alunas em sua diversidade”. (Diversidade e Currículo, Lenise Caçula Pistóia).

Portanto, após todos os estudos desenvolvidos e leituras realizadas, acredito que é inclusão é um desafio para todos, pois ela necessita que superemos:

 “... os males da contemporaneidade pela ultrapassagem de barreiras físicas, psicológicas, espaciais, temporais, culturais e, acima de tudo, garantir o acesso irrestrito de todos aos bens e às riquezas de toda sorte, entre eles, o conhecimento”. (Diversidade e Currículo, Lenise Caçula Pistóia).

Nesse contexto, ainda destaco que precisamos rever nossa prática pedagógica, analisando se de fato estamos criando métodos e técnicas que favoreçam principalmente as pessoas com necessidades educacionais especiais no intuito de incluí-las na escola, e proporcionar seu aprendizado de acordo com suas limitações, ou seja, nós professores devemos trabalhar a partir das limitações dos alunos para possibilitar aos deficientes condições de trabalhar em uma sala de aula comum, proporcionando a eles uma aprendizagem significativa que foi gerada a partir dos seus limites de aprendizagens.

Mas para isso é necessário ajustar tanto os instrumentos didáticos pedagógicos quanto a nossa forma de aplicá-la, se trabalhando de acordo com as limitações de cada indivíduo, como, por exemplo, adaptando materiais e o ambiente escolar, prolongando o tempo para realização das atividades, criando duplas para sessões de estudos, etc, para bem atender as necessidades dos alunos como evidenciamos ao longo do semestre.

Ainda cabe ressaltar que durante meu estudo de caso que a escola e sua equipe avançou muito, e conseguiu proporcionar a inclusão de Emanuel e trabalhar segundo suas limitações, através da reflexão da prática pedagógica, a qual tem como objetivo a aprendizagem através de um ensino de qualidade para todos os alunos.

 

Comments (9)

Graciela Rodrigues said

at 11:57 pm on Mar 26, 2009

Olá Deise!
Iniciando teu Dossiê muito bem, ao longo dele perceberás o quanto será importante estas reflexões articuladas com as leituras. Fiquei com algumas dúvidas: você ainda é prof do menino? Como a escola de forma geral procura aproximá-lo do convívio escolar, pois percebo que há uma aversão dos colegas em relação a ele. Quando você se refere a "carente" que sentido expressas? Seguiremos conversando e escrevendo!
Abraços
Tutora Graciela

Graciela Rodrigues said

at 3:20 pm on Apr 11, 2009

Olá Deise! Colocaste vários dados da Escola e descreveste uma realidade dialogando com as políticas. Vamos somente ter cuidado em não classificar as deficiências como utilizar a palavra "pequena" para caracterizar a deficiência mental. Usaremos aluno com deficiência mental sem também o portador, pois portador remete a alguma coisa que carrego comigo mas logo já não a possuo. Seguiremos conversando, bom trabalho!

Graciela Rodrigues said

at 1:43 am on Apr 26, 2009

Olá Deise, bom início da Unidade 3. Aos poucos poderás ir acrescentando as informações solicitas para esta unidade.

Graciela Rodrigues said

at 1:41 am on Apr 29, 2009

Deise, seu trabalho está bem iniciado, por que também não apresentas a Escola onde está este aluno com foto assim como fez para a que ele recebe atendimento espeacializado?

Graciela Rodrigues said

at 1:51 am on May 16, 2009

Deise, suas informações estão bem completas, porém vamos tentar nos deter nas solicitações de cada unidade, pois você já traz elementos sobre a escola que serão mais adiante solicitados. Reveja o que é para a Unidade 4 e as demais informações vá acrescentando aos poucos ok? Parabéns pelo empenho que apresentas no relato. Aguardo estas observações.

Graciela Rodrigues said

at 12:19 pm on May 27, 2009

Ótimas informações trazidas por você Fabiana! Contemplou as solicitações da unidade!

Graciela Rodrigues said

at 11:34 pm on Jun 10, 2009

Unidade 6 muito bem descrita abordando informações observados no aluno no contexto escolar.

Graciela Rodrigues said

at 6:59 pm on Jun 30, 2009

Olá Desie! Expõs de forma clara e reflexiva as informações a partir do estudo de caso. No final você aponta algumas idéias que não ficaram muito claras já que você ao longo do texto remete a uma avaliação processual a afirmação é a seguinte: " proporcionar seu aprendizado de acordo com suas limitações", poderia explicitar melhor esta idéia? Como eu estabeleço até onde meu pode chegar? Pense nisto e retome o texto. Abraços.

Graciela Rodrigues said

at 12:23 am on Jul 2, 2009

Olá Deise! Discordo um pouco da sua idéia de trabalhar a partir das limitações. Vejo que o trabalho deve ser iniciado a partir do que o aluno sabe e ir oportunizando novas aprendizagens aí sim, de acordo com as dificuldades que ele vai apresentando realizar os ajustes e adaptaçoes na prática pedagógica de modo a favorecer o acesso aos conhecimentos. Abraços!

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